Aqui vai um slide sobre Filosofia atrelada na política, reflexões e tudo mais bem explicado com desenhos:
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Ciência x Senso Comum
Retirado do: http://recantodasletras.uol.com.br
Ciência X Senso Comum
Acreditar em fatos cotidianos, já é um costume da sociedade. Ter a visão como principal fonte de informação sem o questionamento próprio do fundamento de determinado objeto ou acontecimento, é fato comprovado hoje, e é aí que a ciência de diferencia do senso comum.
O senso comum passa de pai p’ra filho, sem questionamento. Por exemplo: a folha de uma árvore é verde, mas isso não é questionado pelo senso comum. A ciência por sua vez estuda das coisas mais naturais até as mais complexas que existem. Se alguém disser que a água do mar é azul ou marrom, todos irão concordar. “A água do mar é azul e ponto final”. A verdade é que as pessoas têm tanta coisa a se preocupar que não se questionam quanto aos fenômenos naturais. Sabem que acontecem, mas não sabem por que acontecem.
Já a ciência usará de meios completos, baseada em estudos científicos e provará que na verdade a água do mar é incolor e só fica azul por causa do reflexo do céu. E do mesmo modo irá explicar que na verdade as folhas das árvores são verdes porque possuem uma certa quantidade de clorofila em sua composição. E as diferenças de intensidade de cor dos objetos, não são determinadas pelo objeto, mas sim pelo comprimento das ondas luminosas.
Sabe-se que o senso comum, apesar de ser subjetivo por exprimir sentimentos individuais e de grupos variados, são também individualizadores, pois cada um interpreta da maneira que entendeu. Em função de serem generalizadores, acabam por cometer um grave erro generalizando qualquer indivíduo ou situação, sem compreender as diferenças: “Se você se veste mal, você é pobre e mal educado”!
O senso comum não se incomoda ou se surpreende com a repetição das coisas, dizendo isto, o fato de vir um dia após o outro, e a cada dia amanhecer, entardecer e anoitecer, não lhe traz qualquer dúvida de que isso é a coisa mais natural do mundo, que sempre foi assim e que nunca mudará. Se interessa pelos fenômenos raros como: o clone, eclipse, etc... Por outro lado a ciência se preocupa em investigar o porquê desta regularidade de fatos.
A ciência desconfia das veracidades das nossas certezas e de nossa adesão imediata às coisas. A ciência se distingue do senso comum principalmente nesse ponto.
A ciência não é subjetiva como o senso comum, pois procura estruturas universais das coisas investigadas, se preocupa com que suas respostas sejam exatas, não importando o lugar e a época que determinada pergunta seja feita. Por exemplo: Um corpo que cai e uma pena que flutua terá sempre a mesma explicação, ou seja, são fatos iguais, mas com fenômenos diferentes da Lei da Gravidade.
A discrepante diferença entre senso comum e ciência sempre existiu e sempre existirá.
E assim a sociedade vai seguindo. Senso comum de um lado, acreditando em tudo que aparece sem questionamentos. E ciência de outro, se desdobrando p’ra desenvolver respostas.
Ciência X Senso Comum
Acreditar em fatos cotidianos, já é um costume da sociedade. Ter a visão como principal fonte de informação sem o questionamento próprio do fundamento de determinado objeto ou acontecimento, é fato comprovado hoje, e é aí que a ciência de diferencia do senso comum.
O senso comum passa de pai p’ra filho, sem questionamento. Por exemplo: a folha de uma árvore é verde, mas isso não é questionado pelo senso comum. A ciência por sua vez estuda das coisas mais naturais até as mais complexas que existem. Se alguém disser que a água do mar é azul ou marrom, todos irão concordar. “A água do mar é azul e ponto final”. A verdade é que as pessoas têm tanta coisa a se preocupar que não se questionam quanto aos fenômenos naturais. Sabem que acontecem, mas não sabem por que acontecem.
Já a ciência usará de meios completos, baseada em estudos científicos e provará que na verdade a água do mar é incolor e só fica azul por causa do reflexo do céu. E do mesmo modo irá explicar que na verdade as folhas das árvores são verdes porque possuem uma certa quantidade de clorofila em sua composição. E as diferenças de intensidade de cor dos objetos, não são determinadas pelo objeto, mas sim pelo comprimento das ondas luminosas.
Sabe-se que o senso comum, apesar de ser subjetivo por exprimir sentimentos individuais e de grupos variados, são também individualizadores, pois cada um interpreta da maneira que entendeu. Em função de serem generalizadores, acabam por cometer um grave erro generalizando qualquer indivíduo ou situação, sem compreender as diferenças: “Se você se veste mal, você é pobre e mal educado”!
O senso comum não se incomoda ou se surpreende com a repetição das coisas, dizendo isto, o fato de vir um dia após o outro, e a cada dia amanhecer, entardecer e anoitecer, não lhe traz qualquer dúvida de que isso é a coisa mais natural do mundo, que sempre foi assim e que nunca mudará. Se interessa pelos fenômenos raros como: o clone, eclipse, etc... Por outro lado a ciência se preocupa em investigar o porquê desta regularidade de fatos.
A ciência desconfia das veracidades das nossas certezas e de nossa adesão imediata às coisas. A ciência se distingue do senso comum principalmente nesse ponto.
A ciência não é subjetiva como o senso comum, pois procura estruturas universais das coisas investigadas, se preocupa com que suas respostas sejam exatas, não importando o lugar e a época que determinada pergunta seja feita. Por exemplo: Um corpo que cai e uma pena que flutua terá sempre a mesma explicação, ou seja, são fatos iguais, mas com fenômenos diferentes da Lei da Gravidade.
A discrepante diferença entre senso comum e ciência sempre existiu e sempre existirá.
E assim a sociedade vai seguindo. Senso comum de um lado, acreditando em tudo que aparece sem questionamentos. E ciência de outro, se desdobrando p’ra desenvolver respostas.
Filosofia x Ciência
Principais diferenças:
1 - Método.
O método científico é o hipotético-dedutivo (Popper).
A Filosofia tem vário métodos, sendo a dialética o principal.
2 - Conhecimento.
O conhecimento científico se baseia no empírico, se utilizando da experimentação e da observação.
O conhecimento filosófico se baseia puramente na razão, não precisando ser posto à prova materialmente.
3 - Demais.
A Ciência tenta explicar como é o mundo.
A Filosofia tenta explicar o que é o mundo.
Textos comparativos:
A filosofia é uma ciência?
Miguel Duclós
Eu diria que atualmente não, embora essa distinção entre filosofia e ciência tenha surgido com o desenvolvimento da ciência moderna, a partir do século XVII. Os termos se confundiam. Veja o caso da herança platônica: existe toda uma argumentação para embasar que através da filosofia, do método dialético, o homem pode chegar à conhecer, pode chegar à epistem (ciência) se livrando do reino da doxa (opinião).
Mesmo na Idade Moderna, o diálogo entre filosofia e ciência é bastante próximo. Descartes era um matemático, por exemplo, e investigou o problema do método para dirigir a razão e procurar a verdade nas ciências. Então, a necessidade científica do método, por exemplo, tem uma origem filosófica.
Mas a filosofia busca uma unidade do conhecimento, ao contrário da especificidade da ciência, e por isso leva em conta também questões morais e de valor, sendo muito mais propensa a verdades não assertivas, ou sistemas especulativos. O método científico busca uma validação na experiência, uma prova. A ciência natural se baseia nos fenômenos, e depende da repetição de fenômenos para formular seus postulados. A investigação filosófica pode se preocupar com o próprio limite do ato de conhecer, e especular sobre o mundo além dos fenômenos, nos limites da razão, porém.
Contenporaneamente a filosofia tem dialogado com a ciência a partir das correntes da epitesmologia. A epistemologia se preocupa com a validade do conhecimento científico, com o ato de conhecer, com os limites, com a formulação de teorias. Existem várias correntes que coexistem divergindo: os pragmatistas, os realistas, os idealistas, por exemplo. A ciência formula teses mas adota paradigmas, de acordo com um critério de validade. Porém essa posição privilegiada da filosofia de julgar o conhecimento científico tem sido muito questionada. Rorty, que quer aproximar a filosofia da literatura, por exemplo, é um dos críticos.
Munaretti
Quando analisamos o surgimento das ciências, o que evidenciamos? Evidenciamos que elas surgiram em forma de interpretação da natureza, e esta interpretação é a tentativa de responder à uma determinada pergunta. E quem fez esta pergunta? O filósofo.
Enquanto a ciência tenta colocar pontos finais após suas proposições, e isso quer dizer que ela procura desde sempre uma resposta objetiva, necessária e universalmente válida, a filosofia coloca pontos de interrogação após suas proposições. A filosofia pergunta, a ciência TENTA responder. A origem de toda ciência está nas perguntas filosóficas, e a filosofia questiona incessantemente a ciência. Não teríamos todo o suposto progresso científico, se por exemplo filósofos como Kant e Hume não tivessem levantado as questões sobre a causalidade, sobre a veracidade dos fenômenos, sobre o espaço e o tempo. Em muitos casos a ciência dá muita matéria para os filósofos abordarem, pois nem a ciência tem sempre uma resposta última, ela sempre é refutada, ou por si mesma, ou pela filosofia.
A filosofia não é uma ciência, absolutamente, embora muitos tenham tentado atribuir à ela a objetividade de uma ciência da natureza, isso não foi possível, pois nenhum cálculo responde o que é liberdade, nenhuma experimentação resolve o problema da ética, nenhuma máquina comprova a existência do mundo exterior, nenhuma inferência lógica evidencia o grau de conhecimento do ser humano. Mas ambos, o cientista e o filósofo procuram por respostas, só que as respostas para as perguntas filosóficas são mais difíceis de encontrar, por que elas são céticas, elas não supõem uma realidade indubitável, elas questionam a própria realidade. O filósofo não vai para o laboratório (ou até pode ir por curiosidade) fazer experimentos genéticos, ou causar choque entre partículas, mas toma estes elementos e faz questionamentos que procuram um alcance maior do que a mera experimentação.
1 - Método.
O método científico é o hipotético-dedutivo (Popper).
A Filosofia tem vário métodos, sendo a dialética o principal.
2 - Conhecimento.
O conhecimento científico se baseia no empírico, se utilizando da experimentação e da observação.
O conhecimento filosófico se baseia puramente na razão, não precisando ser posto à prova materialmente.
3 - Demais.
A Ciência tenta explicar como é o mundo.
A Filosofia tenta explicar o que é o mundo.
Textos comparativos:
A filosofia é uma ciência?
Miguel Duclós
Eu diria que atualmente não, embora essa distinção entre filosofia e ciência tenha surgido com o desenvolvimento da ciência moderna, a partir do século XVII. Os termos se confundiam. Veja o caso da herança platônica: existe toda uma argumentação para embasar que através da filosofia, do método dialético, o homem pode chegar à conhecer, pode chegar à epistem (ciência) se livrando do reino da doxa (opinião).
Mesmo na Idade Moderna, o diálogo entre filosofia e ciência é bastante próximo. Descartes era um matemático, por exemplo, e investigou o problema do método para dirigir a razão e procurar a verdade nas ciências. Então, a necessidade científica do método, por exemplo, tem uma origem filosófica.
Mas a filosofia busca uma unidade do conhecimento, ao contrário da especificidade da ciência, e por isso leva em conta também questões morais e de valor, sendo muito mais propensa a verdades não assertivas, ou sistemas especulativos. O método científico busca uma validação na experiência, uma prova. A ciência natural se baseia nos fenômenos, e depende da repetição de fenômenos para formular seus postulados. A investigação filosófica pode se preocupar com o próprio limite do ato de conhecer, e especular sobre o mundo além dos fenômenos, nos limites da razão, porém.
Contenporaneamente a filosofia tem dialogado com a ciência a partir das correntes da epitesmologia. A epistemologia se preocupa com a validade do conhecimento científico, com o ato de conhecer, com os limites, com a formulação de teorias. Existem várias correntes que coexistem divergindo: os pragmatistas, os realistas, os idealistas, por exemplo. A ciência formula teses mas adota paradigmas, de acordo com um critério de validade. Porém essa posição privilegiada da filosofia de julgar o conhecimento científico tem sido muito questionada. Rorty, que quer aproximar a filosofia da literatura, por exemplo, é um dos críticos.
Munaretti
Quando analisamos o surgimento das ciências, o que evidenciamos? Evidenciamos que elas surgiram em forma de interpretação da natureza, e esta interpretação é a tentativa de responder à uma determinada pergunta. E quem fez esta pergunta? O filósofo.
Enquanto a ciência tenta colocar pontos finais após suas proposições, e isso quer dizer que ela procura desde sempre uma resposta objetiva, necessária e universalmente válida, a filosofia coloca pontos de interrogação após suas proposições. A filosofia pergunta, a ciência TENTA responder. A origem de toda ciência está nas perguntas filosóficas, e a filosofia questiona incessantemente a ciência. Não teríamos todo o suposto progresso científico, se por exemplo filósofos como Kant e Hume não tivessem levantado as questões sobre a causalidade, sobre a veracidade dos fenômenos, sobre o espaço e o tempo. Em muitos casos a ciência dá muita matéria para os filósofos abordarem, pois nem a ciência tem sempre uma resposta última, ela sempre é refutada, ou por si mesma, ou pela filosofia.
A filosofia não é uma ciência, absolutamente, embora muitos tenham tentado atribuir à ela a objetividade de uma ciência da natureza, isso não foi possível, pois nenhum cálculo responde o que é liberdade, nenhuma experimentação resolve o problema da ética, nenhuma máquina comprova a existência do mundo exterior, nenhuma inferência lógica evidencia o grau de conhecimento do ser humano. Mas ambos, o cientista e o filósofo procuram por respostas, só que as respostas para as perguntas filosóficas são mais difíceis de encontrar, por que elas são céticas, elas não supõem uma realidade indubitável, elas questionam a própria realidade. O filósofo não vai para o laboratório (ou até pode ir por curiosidade) fazer experimentos genéticos, ou causar choque entre partículas, mas toma estes elementos e faz questionamentos que procuram um alcance maior do que a mera experimentação.
Teoria do conhecimento: Modos de conhecer o mundo
A necessidade de procurar explicar o mundo dando-lhe um sentido e descobrindo-lhe as leis ocultas é tão antiga como o próprio Homem, que tem recorrido para isso quer ao auxílio da magia, do mito e da religião, quer, mais recentemente, à contribuição da ciência e da tecnologia. Mas é sobretudo nos últimos séculos da nossa História, que se tem dado a importância crescente aos domínios do conhecimento e da ciência. E se é certo que a preocupação com este tipo de questões remonta já à Grécia antiga, é porém a partir do séc. XVIII que a palavra ciência adquire um sentido mais preciso e mais próximo daquele que hoje lhe damos. É também sobretudo a partir desta época que as implicações da atividade científica na nossa vida quotidiana se têm tornado tão evidentes, que não lhe podemos ficar indiferentes. O que é o conhecimento científico, como se adquire, o que temos implícito quando dizemos que conhecemos determinado assunto, em que consiste a prática científica, que relação existe entre o conhecimento científico e o mundo real, quais as conseqüências práticas e éticas das descobertas científicas, são alguns dos problemas com que nos deparamos frequentemente. Diante desses questionamentos, este trabalho pretende fazer um apanhado geral acerca da Teoria do Conhecimento, suas correntes e representantes, de modo que se torne mais fácil a sua compreensão.
Conceito
A teoria do conhecimento, se interessa pela investigação da natureza, fontes e validade do conhecimento. Entre as questões principais que ela tenta responder estão as seguintes. O que é o conhecimento? Como nós o alcançamos? Podemos conseguir meios para defendê-lo contra o desafio cético? Essas questões são, implicitamente, tão velhas quanto a filosofia. Mas, primordialmente na era moderna, a partir do século XVII em diante - como resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associação com a emergência da ciência moderna – é que ela tem ocupado um plano central na filosofia. Basicamente é conceituada como o estudo de assuntos que outras ciências não conseguem responder e se divide em quatro partes, sendo que três delas possuem correntes que tentam explica-las: I - O conhecimento como problema, II - Origem do Conhecimento e III - Essência do Conhecimento e IV - Possibilidade do Conhecimento.
Principais correntes e seus representantes
A) O Conhecimento Quanto à Origem
A polêmica racionalismo-empirismo tem sido uma das mais persistentes ao longo da história da filosofia, e encontra eco ainda hoje em diversas posições de epistemólogos ou filósofos da ciência. Abundam, ao longo da linha constituída nos seus extremos pelo racionalismo e pelo empirismo radicais, as posições intermédias, as tentativas de conciliação e de superação, como veremos a seguir.
• Empirismo
“O empirismo pode ser definido como a asserção de que todo conhecimento sintético é baseado na experiência.” (Bertrand Russell).
Conceitua-se empirismo, como a corrente de pensamento que sustenta que a experiência sensorial é a origem única ou fundamental do conhecimento.
Originário da Grécia Antiga, o empirismo foi reformulado através do tempo na Idade Média e Moderna, assumindo várias manifestações e atitudes, tornando-se notável as distinções e divergências existentes. Porém, é notório que existem características fundamentais, sem as quais se perde a essência do empirismo e a qual, todos os autores conservam, que é a tese de que todo e qualquer conhecimento sintético haure sua origem na experiência e só é válido quando verificado por fatos metodicamente observados, ou se reduz a verdades já fundadas no processo de pesquisa dos dados do real, embora, sua validade lógica possa transcender o plano dos fatos observados.
Como já foi dito anteriormente, existe no empirismo divergência de pensamentos, e é exatamente esse aspecto que abordaremos a seguir. São três, as linhas empíricas, sendo elas: a integral, a moderada e a científica.
O empirismo integral reduz todos os conhecimentos – inclusive os matemáticos – à fonte empírica, àquilo que é produto de contato direto e imediato com a experiência. Quando a redução é feita à mera experiência sensível, temos o sensismo (ou sensualismo). É o caso de John Stuart Mill, que na obra Sistema da Lógica diz que todos os conhecimentos científicos resultam de processos indutivos, não constituindo exceção as verdades matemáticas, que seriam resultado de generalizações a partir de dados da experiência. Ele apresenta a indução como único método científico e afirma que nela resolvem-se tanto o silogismo quanto os axiomas matemáticos.
O empirismo moderado, também denominado genético-psicológico, explica que a origem temporal dos conhecimentos parte da experiência, mas não reduz a ela a validez do conhecimento, o qual pode ser não-empiricamente valido (como nos casos dos juízos analíticos). Uma das obras baseadas nessa linha é a de John Locke (Ensaios sobre o Entendimento Humano), na qual ele explica que as sensações são ponto de partida de tudo aquilo que se conhece. Todas as idéias são elaborações de elementos que os sentidos recebem em contato com a realidade.
Como já foi dito, para os moderados há verdades universalmente validas, como as matemáticas, cuja validez não assenta na experiência, e sim no pensamento. Na doutrina de Locke, existe a admissão de uma esfera de validade lógica a priori e, portanto não empírica, no que concerne aos juízos matemáticos.
Por fim, há o empirismo científico, que admite como válido, o conhecimento oriundo da experiência ou verificado experimentalmente, atribuindo aos juízos analíticos significações de ordem formal enquadradas no domínio das fórmulas lógicas. Esta tendência está longe de alcançar a almejada “unanimidade cientifica”.
• Racionalismo
É a corrente que assevera o papel preponderante da razão no processo cognoscitivo, pois, os fatos não são fontes de todos os conhecimentos e não nos oferecem condições de “certeza”.
Um dos grandes representantes do racionalismo, Gottfried Leibniz, afirma em sua obra Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano, que nem todas as verdades são verdades de fato; ao lado delas, existem as verdades de razão, que são aquelas inerentes ao próprio pensamento humano e dotadas de universalidade e certeza (como por exemplo, os princípios de identidade e de razão suficiente), enquanto as verdades de fato são contingentes e particulares, implicando sempre a possibilidade de correção, sendo válidas dentro de limites determinados.
Ainda retratando o pensamento racionalista, encontramos Reneé Descartes, adepto do inatismo, que afirma que somos todos possuidores, enquanto seres pensantes, de uma série de princípios evidentes, idéias natas, que servem de fundamento lógico a todos os elementos com que nos enriquecem a percepção e a representação, ou seja, para ele, o racionalismo se preocupa com a idéia fundante que a razão por si mesma logra atingir.
Esses dois pensadores podem ser classificados como representantes do racionalismo ontológico, que consiste em entender a realidade como racional, ou em racionalizar o real, de maneira que a explicação conceitual mais simples, se tenha em conta da mais simples e segura explicação da realidade.
Existe também uma outra linha racionalista, originada de Aristóteles, denominada intelectualismo, que reconhece a existência de “verdades de razão” e, além disso, atribui à inteligência função positiva no ato de conhecer, ou seja, a razão não contém em si mesma, verdades universais como idéias natas, mas as atinge à vista dos fatos particulares que o intelecto coordena. Concluindo: o intelecto extrai os conceitos ínsitos no real, operando sobre as imagens que o real oferece.
Hessen, um dos adeptos do intelectualismo, lembra que há nele uma concepção metafísica da realidade como condição de sua gnoseologia, que é conceber a realidade como algo de racional, contendo no particularismo contingente de seus elementos, as verdades universais que o intelecto “lê” e “extrai”, realizando-se uma adequação plena entre o entendimento e a realidade, no que esta tem de essencial.
Por fim, devemos citar uma ramificação do racionalismo que alguns autores consideram autônoma, que é o Criticismo.
O criticismo é o estudo metódico prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento, ou seja, uma disposição metódica do espírito no sentido de situar, preliminarmente o problema do conhecimento em função da relação “sujeito-objeto”, indagando as suas condições e pressupostos. Ele aceita e recusa certas afirmações do empirismo e racionalismo, por isso, muitos autores acreditam em sua autonomia. Entretanto, devemos entender tal posição como uma análise crítica e profunda dos pressupostos do conhecimento.
Seu maior representante, Immanuel Kant, tem como marca a determinação a priori das condições lógicas das ciências. Ele declara que o conhecimento não pode prescindir da experiência, a qual fornece o material cognoscível e nesse ponto coincide com o empirismo. Porém, sustenta também que o conhecimento de base empírica não pode prescindir de elementos racionais, tanto que só adquire validade universal quando os dados sensoriais são ordenados pela razão. Segundo palavras do próprio autor, “os conceitos sem as intuições são vazios; as intuições sem os conceitos são cegas”.
Para ele, o conhecimento é sempre uma subordinação do real à medida do humano.
Conclui-se então, que pela ótica do criticismo, o conhecimento implica sempre numa contribuição positiva e construtora por parte do sujeito cognoscente em razão de algo que está no espírito, anteriormente à experiência do ponto de vista gnosiológico.
B) O Conhecimento Quanto à Essência
Nessa parte do estudo, analisaremos o ponto da Teoria do Conhecimento em que há mais divergências, sendo estas fundamentais pra o pleno conhecimento do assunto, que é o realismo e o idealismo.
• Realismo
Sabendo que a palavra realismo vem do latim res (coisa), podemos conceituar essa corrente como a orientação ou atitude espiritual que implica uma preeminência do objeto, dada a sua afirmação fundamental de que nós conhecemos coisas. Em outras palavras, é a independência ontológica da realidade, ou seja, o sujeito em função do objeto.
O realismo é subdividido em três espécies. O realismo ingênuo, o tradicional e o crítico.
O realismo ingênuo, também conhecido como pré-filosófico, é aquele em que o homem aceita a identidade de seu conhecimento com as coisas que sua mente menciona, sem formular qualquer questionamento a respeito de tal coisa. É a atitude do homem comum, que conhece as coisas e as concebem tais e quais aparecem.
Já o realismo tradicional é aquele em que há uma indagação a respeito dos fundamentos, há uma procura em demonstrar se as teses são verdadeiras, surgindo uma atitude propriamente filosófica, seguindo a linha aristotélica.
Por último, podemos citar o realismo cientifico, que é a linha do realismo que acentua a verificação de seus pressupostos concluindo pela funcionalidade sujeito-objeto e distinguindo as camadas conhecíveis do real como a participação - não apenas criadora - do espírito no processo gnosiológico. Para os seguidores desse pensamento, conhecer é sempre conhecer algo posto fora de nós, mas que, se há conhecimento de algo, não nos é possível verificar se o objeto - que nossa subjetividade compreende - corresponde ou não ao objeto tal qual é em si mesmo.
Há portanto, no realismo, uma tese ou doutrina fundamental de que existe uma correlação ou uma adequação da inteligência a “algo” como objeto do conhecimento, de maneira que nós conhecemos quando a nossa sensibilidade e inteligência se conformam a algo de exterior a nós. De acordo com o modo de compreender-se essa “referibilidade a algo”, bifurca-se o realismo em tradicional e o crítico, que são as duas linhas pertinentes à filosofia.
• Idealismo
Surgiu na Grécia Antiga com Platão, denominado de idealismo transcendente, onde as idéias ou arquétipos ideais representam a realidade verdadeira, da qual seriam as realidades sensíveis, meras copias imperfeitas, sem validade em si mesmas, mas sim enquanto participam do ser essencial. O idealismo de Platão reduz o real ao ideal, resolvendo o ser em idéia, pois como ele já dizia, as idéias são o sol que ilumina e torna visíveis as coisas.
Alguns autores entendem que a doutrina platônica poderia ser vista como uma forma de realismo, pois para eles, o idealismo “verdadeiro” é aquele desenvolvido a partir de Descartes.
O que interessa à Teoria do Conhecimento, é o idealismo imanentista, que afirma que as coisas não existem por si mesmas, mas na medida e enquanto são representadas ou pensadas, de maneira que só se conhece aquilo que se insere no domínio de nosso espírito e não as coisas como tais, ou seja, há uma tendência a subordinar tudo à formas espirituais ou esquemas. No idealismo, que é a compreensão do real como idealidade (o que equivale dizer a realidade como espírito), o homem cria um objeto com os elementos de sua subjetividade, sem que algo preexista ao objeto (no sentindo gnosiológico).
Sintetizando, o idealismo é a doutrina ou corrente de pensamento que subordina ou reduz o conhecimento à representação ou ao processo do pensamento mesmo, por entender que a verdade das coisas está menos nelas do que em nós, em nossa consciência ou em nossa mente, no fato de serem “percebidas” ou “pensadas”.
Dentro dessa concepção existem duas orientações idealistas. Uma é a do idealismo psicológico ou conscienciológico, onde o que se conhece não são as coisas e sim a imagem delas. Podemos conceituá-lo como aquele em que a realidade é cognoscível se e enquanto se projeta no plano da consciência, revelando-se como momento ou conteúdo de nossa vida interior. Também chamado de idealismo subjetivo, este diz que o homem não conhece as coisas, e sim a representação que a nossa consciência forma em razão delas. Seus representantes são Hume, Locke e Berkeley.
A outra é a orientação idealista de natureza lógica, que parte da afirmação de que só conhecemos o que se converte em pensamento, ou é conteúdo de pensamento. Ou seja, o ser não é outra coisa senão idéia.
Seu maior representante, Hegel, diz em uma de suas obras que nós só conhecemos aquilo que elevamos ao plano do pensamento, de maneira que só há realidade como realidade espiritual.
Resumindo: na atitude psicológica, ser é ser percebido e na atitude lógica, ser é ser pensado.
C) Possibilidade do Conhecimento
Essa parte da teoria do conhecimento é responsável por solucionar a seguinte questão: qual a possibilidade do conhecimento?
Para que seja possível respondê-la, muitos autores recorrem a duas importantes posições: o dogmatismo e o ceticismo, os quais veremos abaixo.
• Dogmatismo
É a corrente que se julga em condições de afirmar a possibilidade de conhecer verdades universais quanto ao ser, à existência e à conduta, transcendendo o campo das puras relações fenomenais e sem limites impostos a priori à razão.
Existem duas espécies de dogmatismo: o total e o parcial.
O primeiro é aquele em que a afirmação da possibilidade de se alcançar a verdade ultima é feita tanto no plano da especulação, quanto no da vida pratica ou da Ética. Esse dogmatismo intransigente, quase não é adotado, devido à rigorosidade de adequação do pensamento. Porém, encontramos em Hegel a expressão máxima desse tipo de dogmatismo, pois, existe em suas obras uma identificação absoluta entre pensamento e realidade. Como o próprio autor diz “o pensamento, na medida em que é, é a coisa em si, e a coisa em si, na medida em que é, é o pensamento puro”.
Já o parcial, adotado em maior extensão, tem um sentido mais atenuado, na intenção de afirmar-se a possibilidade de se atingir o absoluto em dadas circunstâncias e modos quando não sob certo prisma. Ou seja, é a crença no poder da razão ou da intuição como instrumentos de acesso ao real em si.
Alguns dogmáticos parciais se julgam aptos para afirmar a verdade absoluta no plano da ação. Entretanto, outros somente admitem tais verdades no plano especulativo. Daí origina-se a distinção entre dogmatismo teórico e dogmatismo ético.
O dogmatismo ético tem como adeptos Hume e Kant, que duvidavam da possibilidade de atingir as verdades últimas enquanto sujeito pensante (homo theoreticus) e afirmavam as razões primordiais de agir, estabelecendo as bases de sua Ética ou de sua Moral.
Por conseguinte, temos como adepto do dogmatismo teórico, Blaise Pascal, que não duvidava de seus cálculos matemáticos e da exatidão das ciências enquanto ciências, mas era assaltado por duvidas no plano do agir ou da conduta humana.
• Ceticismo
Consiste numa atitude dubitativa ou uma provisoriedade constante, mesmo a respeito de opiniões emitidas no âmbito das relações empíricas. Essa atitude nunca é abandonada pelo ceticismo, mesmo quando são enunciados juízos sobre algo de maneira provisória, sujeitos a refutação à luz de sucessivos testes.
Ou seja, o ceticismo se distingue das outras correntes por causa de sua posição de reserva e de desconfiança em relação às coisas.
Há no ceticismo – assim como no dogmatismo – uma distinção entre absoluto e parcial, ressaltando que este último não será discutido nesse trabalho.
O ceticismo absoluto é oriundo da Grécia e também denominado pirronismo. Prega a necessidade da suspensão do juízo, dada a impossibilidade de qualquer conhecimento certo. Ele envolve tanto as verdades metafísicas (da realidade em si mesma), quanto as relativas ao fundo dos fenômenos. Segundo essa corrente, o homem não pode pretender nenhum conhecimento por não haver adequação possível entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido. Ou seja, para os céticos absolutos, não há outra solução para o homem senão a atitude de não formular problemas, dada a equivalência fatal de todas as respostas.
Um dos representantes do ceticismo de maior destaque na filosofia moderna é Augusto Comte.
sábado, 24 de abril de 2010
Inatismo
Platão: Um dos grandes filósofos inatistas
Chama-se inatismo à doutrina segundo a qual há certas ideias, princípios, noções, máximas - especulativas, ou práticas - que são inatas, quer dizer, que possuem a alma, o espírito, etc, de todos os homens sem excepção.
A primeira fase da história do inatismo constitui a doutrina platônica. Elemento capital desta foi a ideia da reminiscência. Esta ideia, combinada com frequência com a doutrina agostiniana da iluminação, exerceu grande influência durante toda a idade média, e opôs-se geralmente ao empirismo do princípio “nada há no intelecto que não estivesse antes nos sentidos”, de ascendência aristotélica, até ao ponto de esta questão, muitas vezes, ser a que estabeleceu uma separação terminante entre o platonismo e o aristotelismo. Geralmente, o pensamento antigo, com excepção das correntes sofísticas e cépticas, inclinou-se para o inatismo. Dentro deste geral inatismo inseriu-se a discussão acerca de se as noções consideradas como princípios deviam ser estimadas como atuais ou potenciais, e isto é muitas vezes o que introduz a citada diferença de opinião entre os platônicos e o s aristotélico.. Embora Platão tenda para pensar que tais princípios são antes disposições que podem usar-se num momento determinado pela ação de um bem dirigida causa exterior, a sua tendência para o inatismo atual é muito mais acentuada que em Aristóteles, para quem os princípios comuns se identificam quase sempre com disposições ou faculdades. Na época moderna, o problema do inatismo adquiriu um novo sentido em Descartes. Houve grandes e frequentes disputas acerca do inatismo, durante os séculos dezassete e dezoito, dividindo-se os autores em inatistas (extremos ou moderados) e anti-inatistas. Assim, enquanto Descartes e Malebranche podem ser considerados como inatistas, Locke combate a teoria das ideias inatas no seu ENSAIO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO, que era também dirigido contra o inatismo da escola de Cambridge. Locke rejeita “a opinião arreigada de alguns de que há certos princípios inatos, noções primárias ou caracteres impressos no espírito humano. Tais princípios ou noções enatas não são, segundo Locke, necessários para explicar coamo podem os homens chegar a possuir todo o conhecimento que têm. Basta - diz - “o uso das suas faculdades naturais”, com o que, seja dito de passagem, Locke reconhece que há umas faculdades que são inatas, o que faz com que o inatismo de Locke seja moderado. Embora os raciocínios matemáticos pareçam constituir uma prova em favor do inatismo, Locke declara que não há tal, pois uma coisa é dizer que não há princípios evidentes por si mesmo e outra coisa muito diferente proclama que tais princípios são inatos.
Na disputa sobre o inatismo destaca-se a polémica entre Locke e Leibniz. Observemos que assim como Locke não era um anti-inatista radical, tão pouco Leibniz era um radical inatista. Com efeito, Leibniz não afirmava que as chamadas ideias inatas ou princípios inatos se encontram efetiva e positivamente no espirito dos homens. De contrário, haveria que supor que tais princípios se manifestam sempre e sem nenhuma peia. O que há no espírito humano é evidência das “verdades eternas”. “Inato” não significa, portanto, para Leibniz, “o que efetivamente se sabe”, mas ”o que se reconhece como evidente”. Por isso é preciso distinguir entre “os pensamentos como ações” e “conhecimentos ou verdades como disposições”. Enquanto em Locke se trata de “disposições para conhecer verdades”, em Leibniz trata-se, conforme apontamos, de “verdades como disposições”. Assim, Locke põe a tônica na faculdade e Leibniz põe-na sobre a verdade. Embora se possa dizer, portanto, que em geral os racionalistas eram inatistas e os empiristas, se exceptuarmos Berkeley, eram anti-inatistas, as diferenças não consistiam tanto no que os autores diziam como no modo de dizê-lo, ou se se preferir, no tipo de prova aduzido para demonstrar ou reforçar as suas respectivas posições.
Problemas:
Uma das grandes polémicas filosóficas foi a do inatismo das ideias. Não vai muito tempo, o ateu Bertrand Russell insultava Platão e Leibniz; Nietzsche dizia que Kant era estúpido; Locke afirmava que Descartes não estava totalmente certo, embora não o desmentisse em toda a linha e até entrasse em contradição em relação ao inatismo. A contradição ética de Espinosa ainda foi mais flagrante: ao mesmo tempo que adoptou a teoria de Hobbes no que respeita à valorização do poder absoluto político e terreno, com a consequente ausência do inatismo, considerava que o Bem consistia na união com o seu Deus panteísta; Espinosa foi ateu e panteísta ao mesmo tempo.
Mas o problema já vinha de trás, dos gregos da escola Megárica e dos estóicos. Do epicurismo e do estoicismo surgiu a teoria da “tábua rasa” mais tarde adoptada pelos empiristas ingleses a partir de John Locke. Influenciado por este, Voltaire assumiu a mesma linha de pensamento. Com o positivismo, a luta contra o inatismo passou a ser feroz e atingiu o seu clímax com Karl Marx; pelo meio ficou o coitado do Darwin que nunca se assumiu publicamente como ateu.
A atitude mais moderada no meio desta controvérsia foi a de Leibniz que considerava que o inatismo era parcelar e diminuto, isto é, existem apenas pequenos resquícios de ideias inatas, e todas as outras são consequência da experiência. Mesmo assim, foi criticado pelos empiristas ingleses como Hume, Bentham e Stuart Mill (entre outros).
Entretanto, vão aparecendo notícias da ciência que nos dizem que Leibniz não estaria de todo errado, e que Platão viu aquilo que a alegada inteligência do Bertrand Russell não conseguiu ver: o cérebro humano processa a informação da realidade exterior independentemente do sentido da visão.
O cérebro de um cego de nascença separa os objectos concebidos através das ideias e conceitos que tem desses objectos (sem nunca os ter visto, naturalmente) por categorias específicas processadas em determinadas áreas do cérebro ― tal como o faz uma pessoa que não é cega, isto é, o funcionamento do cérebro humano é independente da sensação, ou melhor, o cérebro não necessita da sensação para a percepção.
Empirismo
John Locke: O principal filósofo empirista
O empirismo é uma teoria filosófica que defende o conhecimento da razão, da verdade e das idéias racionais através da experiência. Essa teoria muito desagrada os adeptos da teoria inatista que afirma termos em nossa mente desde o período extra-uterino princípios racionais e idéias verdadeiras.
O empirismo é descrito-caracterizado pelo conhecimento científico, a sabedoria é adquirida por percepções; pela origem das idéias por onde se percebe as coisas, independente de seus objetivos e significados; pela relação de causa-efeito por onde fixamos na mente o que é percebido atribuindo à percepção causas e efeitos; pela autonomia do sujeito que afirma a variação da consciência de acordo com cada momento; pela concepção da razão que não vê diferença entre o espírito e extensão, como propõe o Racionalismo e ainda pela matemática como linguagem que afirma a inexistência de hipóteses.
John Locke é considerado o principal figurante do empirismo. Com sua corrente, denominada Tabula Rasa, afirmou que as pessoas desconhecem tudo, mas que através de tentativas e erros aprendem e conquistam experiência. Sua corrente também originou o behaviorismo que busca o entendimento dos processos mentais internos do homem.
Outros filósofos estão associados ao empirismo como: Tomás de Aquino, Francis Bacon, Thomas Hobbes, George Berkeley, David Hume e Hohn Stuart Mill. Destes e Thomas Hobbes conseguiram influenciar uma geração de filósofos do Reino Unido com o empirismo no século XVII.
Um dos grandes problemas enfrentados por filosofias empiristas da ciência diz respeito à natureza semântica dos conceitos e enunciados presentes nas teorias científicas bem sucedidas. Pois, considerando que empiristas em geral não admitem que aquilo que é designado pelo conceito e pelo enunciado possa extrapolar os limites da experiência sensível; e considerando, em segundo lugar, que também em geral os conceitos e enunciados científicos extrapolam tal âmbito fenomenalista; segue-se que concepções empiristas de ciência se revelam defeituosas no que diz respeito à apreciação filosófica dos conceitos e enunciados científicos.
Assim, ou empiristas devem se restringir a aceitar conceitos e enunciados que designem tão somente o que podemos observar (e com isso, na prática, abandonar de vez qualquer pretensão de compreender o conhecimento científico) ou deveriam então aceitar que os conceitos e os enunciados possam ser compreendidos como designações de ocorrências não diretamente experienciáveis, mas nem por isso menos reais ou significativos. Portanto tudo indica que o problema empirista da aceitação dos conceitos e enunciados científicos, na forma da disjunção acima, ou o conduz a não explicar adequadamente o conhecimento científico ou o conduz a deixar de ser um empirista. Diante deste problema, várias alternativas empiristas têm sido propostas ao longo da história do empirismo na filosofia da ciência: instrumentalismo; justificacionismo; naturalismo; construtivismo etc.
E cada uma delas possui seus méritos e problemas internos peculiares. Uma outra alternativa é o holismo: concepção segundo a qual os conceitos e enunciados científicos não podem ser apreciados como uma unidade semântica básica; ao invés, deve ser compreendido o papel que este conceito ocupa na rede teórica a partir do qual é formulado e proposto. Esta alternativa holística se apresenta como um instrumento teórico importante para os empiristas pois, por meio dele, é possível deslocar a discussão do significado do conceito e do enunciado para a discussão alternativa do papel do conceito e do enunciado no sistema como um todo. Com isso a disjunção antes apresentada – ou o conceito e o enunciado possui um significado ou não possui um significado – deixa de vigorar numa concepção holística, e deste modo os empiristas podem se capacitar a apresentar teorias da ciência que não estejam limitadas a princípios fenomenalistas.
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